Setor público e privado discutem Plano de Ação para aquicultura em longo prazo

Setor público e privado discutem Plano de Ação para aquicultura em longo prazo

Um plano de ação para o desenvolvimento da aquicultura (cultivo de organismo em meio aquático) nacional em tanques e viveiros escavados deve ser traçado para os anos de 2016 a 2020. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) apresentou o esboço para ser debatido durante a Feira Nacional do Camarão, evento que ocorre até quinta-feira (19/11), em Fortaleza (CE).

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Kátia Abreu, aprovou a ideia e demostrou interesse em desenvolver o chamado MATOPIBA – acrônimo criado com as iniciais dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia abrangendo uma região dos quatro estados, caracterizada pela expansão de uma fronteira agrícola baseada em tecnologias modernas de alta produtividade -. Assim que aprovado, o texto final do documento será redigido pela Embrapa e contará com a contribuição das Comissões Nacionais de Aquicultura e Pesca da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e outros representantes do setor produtivo.


A proposta inicial do MAPA é priorizar três espécies: tilápia, tambaqui e camarão marinho.  Foi levantada pela ministra a questão do gasto com hora/máquina pelo governo para escavar tanques com a possível geração de 2.500 empregos diretos. Já para os produtores, os investimentos de recursos próprios ou do plano safra serão para a melhoria na operacionalização, como oferta de alevinos e ração de qualidade.


Segundo a coordenadora das Comissões de Aquicultura e Pesca da CNA, Lilian Figueiredo, durante a reunião foram debatidas as linhas da proposta inicial do plano com vistas à realidade do setor. “Os produtores sugeriram colocar peixes redondos ao invés de tambaquis; além da inclusão de espécies criadas na região Sul, como a carpa”, comentou. A coordenadora também observou que o setor produtivo fez questão de destacar a necessidade de capacitação do sistema financeiro para aprovar apenas os projetos viáveis; além da necessidade de implementar e fomentar a indústria de processamento. “É preciso trabalhar com polos produtivos e não algo pulverizado”.


Lilian Figueiredo frisa que hoje um dos impedimentos para o desenvolvimento da atividade são as dificuldades de licenciamento ambiental, obrigatórios para o empréstimo bancário. “Além disso, o plano por enquanto só foca na produção e não cita o processamento e comercialização, dois grandes gargalos da aquicultura nacional. É preciso resgatar todo o trabalho de incentivo para implantação de Tanque Rede feita pelo extinto Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) para obtenção de melhores resultados”, finalizou a coordenadora.

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