Qualidade de Pellet: Uma ferramenta de melhoria de resultados no campo

Por Alexandre Barbosa de Brito Médico Veterinário, PhD em Nutrição Animal

Estamos em um momento de desafio para a manutenção de resultados zootécnicos. A pressão da sociedade e rotineiramente do governo, nos impõe novos desafios que deverão ser debatidos e vencidos no próximo ano de 2019. Um bom exemplo disso refere-se ao informe sobre a intensão de proibição de uso de antimicrobianos promotores de crescimento (tilosina, lincomicina, virginiamicina, bacitracina e tiamulina) reportado na Portaria 171 de 13 de dezembro de 2018.

A portaria do Ministério da Agricultura concede um prazo de 45 dias, contados a partir de sua publicação, para receber manifestações técnicas que possam refutar a decisão de proibição/banimento. Este fato reflete com maior ênfase a necessidade de uma busca constante de nossa classe no desenvolvimento de estratégias para mantermos os aspectos produtivos dentro de um custo adequado.

Sob a ótica da nutrição animal, venho abordando este tema em minhas colunas, sobre a definição de Nutrologia (como apresentado em minha segunda coluna na revista Gessulli, em Fevereiro de 2018). A Nutrologia, termo até então utilizado apenas para a ciência médica humana, se caracteriza por uma especialidade da medicina que estuda, pesquisa e avalia os benefícios e malefícios causados pela ingestão dos alimentos. Este ramo da ciência nutricional, exige um profissional que aplique o conhecimento da nutrição para a avaliação de todas as necessidades orgânicas dos animais, visando não só o desempenho produtivo, mas também a manutenção da saúde e redução de risco de doenças.

Um dos aspectos importantes para este tema refere-se a maximização do aporte nutricional dos animais, sendo que a qualidade de pellet é algo que pode nos ajudar nesta busca. Natel (2014) reportou, em seu trabalho de conclusão de curso, uma avaliação do uso de óleo pós-peletização com relação a melhora de qualidade de pellet de frangos após o processamento.

Para isso o autor trabalhou com uma dieta única, com uma proporção de 3,5% de óleo de soja no alimento final, porém este volume foi adicionado totalmente no misturador (antes do processo de peletização) ou parcialmente adicionado após o resfriador, na proporção de 0,5% a 2,5% (Tabela 1).

Tabela 1. Proporção do volume de óleo utilizado diretamente no misturador após o resfriador.

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tabela 1

O simples aumento de inclusão de óleo após o resfriador, gera um benefício importante na qualidade de pellet, chegando a melhorar o PDI em até 10,8% (Figura 01), gerando um nível ideal 2,33% de inclusão de óleo pós peletização para este ítem. Porém o mesmo autor descreve que um balanço deve ser avaliado, pois uma inclusão inferior a 2,5% de óleo na dieta interferiu na produtividade da peletizadora.

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Figura 1. Valores de Índice de Durabilidade de Pellet ou PDI (do inglês) de dietas com a mesma composição final, porém com diferentes proporções de inclusão de óleo no misturador e após o resfriador.

Fonte: Adaptado de Natel 2014.

Este ganho em qualidade de pellet gera um benefício de performance zootécnica em aves e suínos. Cutlip et al. (2008) realizaram um estudo avaliando práticas de temperatura e pressão no processo de peletização sobre a qualidade de pellet e seus reflexos no desempenho de frangos de corte. Os autores avaliaram 4 tratamentos, conforme descrito na Tabela 2. De forma geral, o melhor resultado de PDI foi obtido quando adotado a produção em regime de alta pressão e temperatura, porém acompanhado de perto pelo tratamento de baixa pressão e alta temperatura, já os tratamentos de baixa temperatura obtiveram os piores resultados de PDI, independente do tipo de pressão utilizada (Figura 2).

Tabela 2. Tratamentos utilizados no experimento.

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Figura 2. Resultados de PDI% de dietas processadas em diferentes temperaturas e pressão durante o processo de peletização e o resultado de conversão alimentar de frangos de corte de 21 a 39 dias que consumiram estas dietas.

Fonte: Adaptado de Cutlip et al. (2008).

Ainda de acordo com os autores, neste trabalho as alterações no processo fabril que geraram maiores valores de PDI não impactaram na produtividade (P>0,05), o que demonstra que ajustes na temperatura e pressão podem ajudar quanto ao impacto de utilizar óleo adicionado após o resfriador. Por fim, os autores associaram os dados de PDI com performance de frangos de 21 a 39 dias de idade, sendo observado ganho de até 7,8% na conversão alimentar comparado o tratamento de menor PDI, com o que obteve um PDI mais elevado (Figura 2). Mesmo ganho é observado em suínos, como reportado no trabalho de Chae & Han (1998).

Porém ressalta-se a importância de não excedermos as temperaturas de peletização superiores a 90ºC, pois podemos observar perdas de aditivos, gerando impactos negativos na performance do animal, por melhor que seja a qualidade do pellet gerado.

O assunto é realmente complexo. Desta forma, nestes novos tempos, devemos dar ênfase a ações cada vez mais eficazes na busca de performance de aves e suínos, buscando eficiência em os campos, inclusive naquele que se refere a engenharia de produção de alimentos. Devemos ver os engenheiros como aliados na busca por produção de alimentos de alta performance, optando sempre por fornecedores que tragam uma assessoria cada vez mais especializada e presente na linha de frente das fábricas em um sistema de pós-venda mais desenvolvido.

Fonte: Suinocultura Industrial

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