Israel integra universidades a startups de tecnologia

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Conceito semelhante ao dos kibutzim, as cooperativas agrícolas israelenses, inspira estratégia para desenvolver empresas capitalistas.

Universidade de Jerusalém fornece espaço e equipamentos a startups

Universidade de Jerusalém fornece espaço e equipamentos a startups

Eugênio Goussinsky / R7

A ideia de interligar o conhecimento acadêmico, integrando as descobertas à produção industrial e às atividades comerciais existe desde 1964, pelo menos, em Israel, mas agora tais parcerias estão migrando das empresas de energia para as startups e empresas de tecnologia.

Isso promoveu uma mudança de métodos na Yissum, Companhia de Transferência de Tecnologia da Universidade Hebraica de Jerusalém, presidida por Yaron Danieli, que já teve experiência em empresas particulares.

Neste domingo (11), o primeiro dia do evento Start Jerusalem 2018, que até o dia 15 reunirá especialistas para falar sobre as novas tendências do setor, Danieli afirmou que no início recusou o convite para o cargo, por considerar que o modelo estava quebrado.

“Até algum tempo atrás, a universidade vivia de maneira muito fechada em seus projetos”, avalia Danieli. “Ninguém no mundo sabia o que ocorria lá dentro, quais as necessidades e desafios.”

Neste sentido, a Yissum parecia não estar dando conta das novas demandas do mercado, cada vez mais dinâmicas com a mudança de matizes.

Parcerias em tecnologia

Em 2006, das 10 maiores empresas do mundo, apenas uma era de tecnologia. Em 2016, seis empresas do setor estão entre as 10 mais fortes do mundo.

E Israel, país que tem o maior número de cientistas per capita, possui parceria com todas elas, buscando a partir de agora trazê-las para desenvolver os projetos em território israelense.

Danieli afirma que, percebendo o novo cenário, resolveu aceitar o desafio, com diretrizes que poderiam acelerar o processo de desenvolvimento das startups israelenses.

“Era necessário uma junção de interesses, com o meio acadêmico e as empresas ouvindo as necessidades umas das outras e da comunidade, criando soluções. Não é apenas empurrar uma tecnologia, mas responder a essas novas demandas com ideias.”

A companhia então expandiu um programa de utilização de dependências que antes eram residências de estudantes, transformando-as em excubadoras (aceleradoras de empresas), nas quais, várias pequenas companhias atuam, dividindo os recintos do local.

Na Universidade de Jerusalém, há cerca de 10 delas que têm aprimorado ideias nas áreas de genética, biotecnologia, life science (ciência da vida), química, food tech (produção de alimentos e bebidas), pagando um aluguel de 1000 shekalim (R$ 1.034,00) e tendo à disposição toda a infraestrutura da universidade, sem a necessidade de adquirir os mais caros equipamentos.

Nova molécula

Num dos projetos, por meio da Inteligência Artificial, um sistema consegue criar peptídeos (moléculas articuladas) que em geral são formados de aminoácidos e de proteínas.

Tal método exclusivo cria novas moléculas e ajuda não só a prevenir como curar uma série de doenças, como afirma Immanuel Lerner, um dos pesquisadores do local.

Mas apesar de serem capitalistas, as empresas que atuam lado a lado acabam compartilhando tecnologia e dinamizando processos.
A Yissum acumula, ao longo destes 54 anos, 10 mil patentes (ideias), 3 mil invenções das quais mil foram licenciadas como produtos.

‘Kibutzim tecnológicos’

Tal conceito de integração é semelhante ao dos kibutzim (cooperativas agrícolas) e essencial para a atividade, segundo afirma Shay Fleishon, diretor executivo da BioJerusalem, que funciona como uma consultoria para as empresas.

“A velocidade das inovações seria muito mais lenta se não houvesse essa integração”, diz Fleishon. “Claro que há algumas informações que não podem ser passadas. Mas outras sim e com o fato de, por exemplo, uma empresa de química necessitar de informações sobre biologia e tê-las na porta ao lado, tudo fica mais fácil para ela.”

A própria localização dos laboratórios e escritórios se assemelha à dos kibutzim, em meio a uma atmosfera bucólica. E se o sistema das empresas é capitalista, algo dos kibutzim também virou capitalista, inclusive com a cobrança de aluguel para novos residentes.

Mas a ordem, dentro dessas instituições que ajudaram a formar Israel nos anos 50 e 60, é manter a essência colaborativa. Mais um ponto em comum com as startups. O escritor Saul Singer, especialista na área de ciências da vida, remete a comparação à origem de Israel.

“Israel mesmo é uma startup, nasceu de uma ideia para se desenvolver.”

*O jornalista viajou a convite do Ministério das Relações Exteriores de Israel

Fonte: Noticias R7

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