Detentos são ressocializados com ajuda da piscicultura, no Pará

Projeto ‘Nascente’ usa a mão de obra dos presos para aumentar oportunidade de trabalho e capacitação técnica na agricultura familiar em Santarém.

Projeto 'Nascente' constrói tanques para criação de peixes no presídio em Santarém — Foto: Veloso Júnior/Ascom Segup/Divulgação

Projeto ‘Nascente’ constrói tanques para criação de peixes no presídio em Santarém — Foto: Veloso Júnior/Ascom Segup/Divulgação

As mãos que um dia cometeram crimes são as mesmas que ganharam oportunidades de ressocialização em um projeto de piscicultura em Santarém, no oeste do Pará. 17 internos do Centro de Recuperação Agrícola Sílvio Hall de Moura estão participando das atividades realizadas dentro da casa penal, na comunidade Cucurunã.

Utilizando a mão de obra de custodiados, os trabalhos consistem na revitalização de tanques para a criação de peixes destinados à comercialização e consumo dos internos do presídio. Atualmente, a casa penal mantém 689 detentos, dos quais 141 cumprem pena no regime semiaberto.

O Projeto “Nascente” visa aumentar a oportunidade de trabalho e a capacitação técnica em atividades laborais no campo da agricultura familiar. A ideia de criação dos tanques surgiu de uma parceria entre a Universidade da Amazônia (Unama) e a Agência de Defesa Agropecuária do Estado (Adepará) juntamente com Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe).

“Foi feito um estudo para a retirada da água de dentro do reservatório da área da colônia penal para os tanques de piscicultura, e a utilização de filtros para evitar que os insumos dos peixes possam contaminar os igarapés da região. No momento, já estamos finalizando a etapa das obras de adaptação da água e do solo para abrigar as espécies de peixes”, explicou Simone dos Santos, coordenadora de Reinserção Social da casa penal.

Os 17 internos participam da construção e manutenção de dois tanques de 45 x 45m² e 1,5 metro de profundidade. O biólogo Hipócrates Chalckidis, da Unama, está à frente do projeto de extensão que analisa o solo na área e ao redor dos tanques da colônia penal. Os alunos do curso de Ciências Biológicas e Gestão Ambiental fazem a medição do solo e análise de espécies de plantas para ajudar na manutenção e evitar o assoreamento.

17 presos participam do projeto que visa a ressocialização no presídio de Santarém — Foto: Veloso Júnior/Ascom Segup/Divulgação

17 presos participam do projeto que visa a ressocialização no presídio de Santarém — Foto: Veloso Júnior/Ascom Segup/Divulgação

“Os tanques são muito bons e serão aproveitados em larga escala para a comercialização dos peixes da nossa região. Mas, ao mesmo tempo, nos causou preocupação o entorno desses tanques, pois existem alguns aclives (ladeiras) desmatados com pontos assoreados”, destacou o professor e biólogo.

As equipes pretendem com o estudo evitar que no período das chuvas esse material particulado caia nos tanques inviabilizando e/ou atrasando a produção futura.

Para o interno Cleber Vieira, que trabalha desde maio na construção dos tanques, o projeto é uma oportunidade de aprendizado. “Nunca tinha trabalhado com isso, e estou gostando muito. Trabalhar com a terra, e nesse espaço, me ajuda a não pensar em coisas negativas e dar continuidade na área de agricultura familiar quando eu sair daqui”, disse.

Além da piscicultura, o Projeto Nascente também inclui o cultivo de plantas ornamentais, olericultura (exploração de hortaliças), fruticultura, meliponicultura (criação de abelhas), tubérculos (vegetal cultivado embaixo da terra), suinocultura, palmípedes (criação de patos), piscicultura (criação de peixes) e compostagem (adubo orgânico).

O projeto, executado pela Diretoria de Reinserção Social da Susipe, também é desenvolvido em unidades prisionais dos municípios de Santa Izabel do Pará (Região Metropolitana de Belém) e Marabá (no sudeste).

Fonte: G1.Globo

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