Coronavírus: orientações para a indústria de alimentos

A indústria de alimentos é a maior empregadora entre as indústrias de transformação do Brasil e facilmente um dos pontos de maior aglomeração de pessoas. Parques fabris que concentram entre 200 a até mais de 5 mil pessoas são comuns neste segmento – o que o faz importante centro de disseminação do vírus. Apesar de que não há evidências de que o novo coronavírus seja transmitido por alimentos, ela deve tomar ações para reduzir a velocidade de avanço do vírus.

Além da concentração de pessoas, a indústria também manipula muitos materiais. O vírus pode se manter ativo em superfícies não higienizadas – como embalagens de alimentos – por até 72h (em plástico e inox) ou 24h (no papelão). Superfícies que foram contaminadas por portadores do vírus podem então ser mais uma fonte de disseminação.

Para ajudar a minimizar a dispersão do novo coronavírus (COVID-19), a indústria de alimentos deve incorporar no seu plano de Gerenciamento de Crises ações efetivas. A maioria delas já está nos seus planos de Boas Práticas de Fabricação, também sendo aplicáveis à disseminação de outros agentes infecciosos. Ou seja: nada de muito novo sob o Sol para quem já é criterioso em relação à higiene pessoal.

ORIENTAÇÕES RELATIVAS AO NOVO CORONAVÍRUS (COVID-19) PARA A INDÚSTRIA DE ALIMENTOS:

Reforce as práticas sanitárias

Lavar as mãos frequentemente ainda é a medida mais segura para conter o vírus. Os colaboradores devem ser orientados a não tocarem seus rostos sem terem lavado as mãos. Abraços, apertos de mão e beijos no rosto devem ser substituídos por acenos ou outras formas de saudação.

Limpeza e desinfecção de mesas, maçanetas, botões e demais superfícies devem ser reforçadas, lembrando que os agentes desinfetantes comuns (não apenas o álcool 70%, mas também o hipoclorito de sódio 0,5%, são bons sanitizantes contra o vírus).

Restrinja o acesso à fábrica, escritórios e demais áreas da empresa

Conter o fluxo de pessoas é o objetivo das quarentenas – contudo, fazer isso na indústria de alimentos pode significar levar o país ao caos do desabastecimento. Desta forma, uma medida paliativa é restringir os acessos de pessoal externo (como fornecedores, consultores, prestadores de serviço) e reduzir o acesso do pessoal interno que mais circula (como qualidade e manutenção).

A Equipe de Segurança de Alimentos e a Segurança do Trabalho devem atuar em conjunto para reduzir ou eliminar tráfegos internos e externos desnecessários. Esta não é a hora de realizar auditorias (inclusive a maior parte das normas já se posicionou sobre o assunto), nem de fazer obras

Substitua reuniões presenciais por webconferências

Cada um sentado na sua mesa, ou em home office: assim devem ser conduzidas reuniões nos próximos 30 ou 60 dias. Ferramentas abundam – Skype, Whatsapp, Google Hangouts Meet (que liberou o acesso aos seus clientes do G Suit e G Suit for Education para até 250 pessoas até 01 de julho) e até o Facebook podem ser usados para organizar estas reuniões.

Você vai talvez descobrir que a maior parte delas poderia ser um e-mail.

Restrinja viagens e coloque em quarentena os que regressam

Traga de volta quem está fora e restrinja viagens ao mínimo necessário nesta época – e, de preferência, elimine viagens. O vírus não se transporta sozinho, sendo necessário um hospedeiro para que aconteça a disseminação: o ser humano. Viajantes levaram o vírus da China para todo o mundo.

Todos os viajantes que estiveram em local de disseminação do novo coronavírus COVID-19 devem ficar em quarentena de 14 dias após a viagem, antes de voltarem ao local de trabalho, mesmo que não apresentem sintomas. Devem ser orientados a medir sua temperatura 2 vezes ao dia.

Elimine bebedouros

Escolas já estão fazendo e a indústria também precisa: bebedouros são locais de alta concentração de pessoas, em que o vírus pode ficar alojado e depois se disseminar. Oriente a todos os colaboradores a trazerem suas garrafas de água de casa. Caso esta medida não seja possível, principalmente em ambientes fabris, reforce a higienização dos bebedouros e mantenha álcool 70% ao lado de cada ponto de água. Os colaboradores devem ser ensinados a higienizar os pontos de contato de bebedouros (locais de acionamento e coleta da água) antes de beber.

Postergue treinamentos presenciais

Não é hora de fazer treinamentos presenciais. Manter distância de 2m em relação a outras pessoas pode ser possível em várias situações, mas dificilmente será em treinamentos. Sendo assim: troque os treinamentos presenciais por versões online ou postergue.

Distribua mais os horários de almoço

Um dos momentos de maior aglomeração e de contato com pessoas de diferentes áreas é a hora do almoço. A Equipe de Segurança de Alimentos, o RH e a Segurança do Trabalho devem se reunir para montar um plano que distribua mais o horário de almoço, reduzindo o acúmulo de pessoas no refeitório e o trânsito de pessoal na empresa.

Libere o home office

Nas funções administrativas, que dependem apenas de um computador para trabalhar, o home office é a solução para redução da exposição. Ele deve ser liberado não apenas para quem apresenta sintomas, mas para todos – afinal, reduzir a aglomeração é chave para conter a velocidade de avanço do vírus. As indústrias de alimentos devem já mapear quem tem acesso a computador em casa e liberar os notebooks para uso fora da empresa. Agora é hora de sentar-se com o pessoal da TI para garantir que os colaboradores consigam acessar os sistemas da empresa mesmo das suas redes particulares.

Faça triagem na entrada dos colaboradores

Nas portarias das empresas, os colaboradores devem ser orientados a fazerem uma auto-avaliação dos principais sintomas antes de entrarem. Apresentando sintomas, devem ser orientados a ficarem em casa, em quarentena, de forma a reduzir o contágio dos demais colegas.

Pode parecer ruim perder um colega na linha de produção – mas pior ainda é perder 900 (veja o caso do 31° paciente na Coreia do Sul, que infectou outras 1.160 pessoas).

Oriente quarentena para quem está apresentando sintomas

Reforce a mensagem, que já é uma Boa Prática de Fabricação, de que colaboradores de alimentos devem ser afastados de suas atividades. No caso do novo coronavírus, não é suficiente realocar a pessoa infectada para uma área de baixo risco, sem contato com alimentos expostos, como pode ser feito com outras doenças com menor taxa de transmissão. A recomendação da Organização Mundial de Saúde é que as pessoas infectadas fiquem em casa, enquanto os sintomas sejam leves, ou procurem seus agentes de saúde, quando tiverem febre acima de 37,3°C e falta de ar.

Fonte: Beef Point

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