Como selecionar ingredientes para formulação de rações para bovinos

O Brasil é um país tropical, sendo favorável a cultivo de volumosos e grãos. Os alimentos volumosos mais utilizados nos sistemas de produção de leite no Brasil são as pastagens, as silagens de milho, sorgo ou capim e a cana-de-açúcar. Animais mantidos exclusivamente em pastagens tropicais bem manejadas têm seu potencial de produção de leite limitado em 8 a 14 kg/vaca/dia. As vacas dificilmente conseguem ingerir quantidades de forragem suficiente para produções maiores que as citadas. Quando alimentadas exclusivamente com silagem de milho ou sorgo, o teor baixo de proteína destes alimentos limita a produção a patamares inferiores ao das pastagens tropicais. No caso da cana-de-açúcar as limitações em proteína são tão severas que não permitem sequer a manutenção do animal.
O uso de alimentos concentrados tem por objetivo suprir as deficiências nutricionais das forrageiras e permitir produções elevadas das vacas leiteiras. Os concentrados são na grande maioria compostos por suplementos energéticos, suplementos proteicos e suplementos minerais e vitamínicos.
Tanto os suplementos energéticos quanto os proteicos, contêm energia e proteína, com raras exceções. Os suplementos energéticos são assim chamados por conterem teores altos de energia e teores baixos de proteína. Por outro lado, os suplementos proteicos contêm teores elevados de proteína, podendo também ser ricos em energia.
2.1. Suplementos energéticos
No Brasil os principais suplementos energéticos utilizados nos concentrados de vacas leiteiras são os grãos de cereais como o milho, o sorgo, o milheto e diversos subprodutos como a polpa cítrica, a casca de soja, o farelo de arroz, o farelo de trigo e o farelo de mandioca, dentre outros. Estes ingredientes contêm teores altos de energia, entre 75 a 92% de NDT (%MS), mas são pobres em proteína bruta, com teores normalmente inferiores a 12% (%MS). O farelo de trigo tem 16 a 18% de proteína bruta (%MS).
2.2. Suplementos protéicos
Os principais suplementos proteicos utilizados nos concentrados de bovinos no Brasil são o farelo de soja, o farelo de algodão e a ureia, fonte de nitrogênio não proteico. O farelo de soja tem 47 a 50% de PB e 82% de NDT (%MS). O farelo de algodão tem 38 a 41% de PB e 66 a 75% de NDT (%MS). A ureia é fonte de nitrogênio não proteico e contêm 45% de nitrogênio. Como a proteína tem 16% de nitrogênio, o equivalente proteico da ureia é de 281%, ou seja, cada kg de ureia equivale a 2,81 kg de proteína bruta.
As sementes de oleaginosa como a soja grão e o caroço de algodão são boas fontes de proteína, porém ricas em energia devido ao teor alto de óleo, ao redor de 18% da MS. A soja grão tem de 36 a 40% de PB e 101% de NDT. O caroço de algodão tem ao redor de 24% de PB e 90% de NDT (%MS). O farelo de amendoim é um suplemento proteico com 50 a 52% de PB, com oferta crescente no país. Suplementos com teores médios de PB são o farelo de girassol (30% de PB), o resíduo de cervejaria (20 a 25%) e o farelo glúten de milho -21 (refinasil ou pró-mil) com 21 a 24% de PB.
2.3. Suplementos minerais e vitamínicos
Os concentrados para vacas leiteiras devem conter núcleo mineral na sua composição. A formulação do núcleo mineral vai depender da exigência do animal e da composição mineral dos alimentos consumidos pelo bovino.
Pastagens são ricas em vitaminas A, D e E, não havendo a necessidade de suplementar os animais. Entretanto, forragens conservadas na forma de silagem ou feno, perdem quantidades grandes dessas vitaminas, principalmente de vitamina A, sendo recomendado suprir essas vitaminas no concentrado.

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