Como grandes confinamentos têm obtido boas produtividades

Membros do Núcleo de Estudos em Pecuária de Corte visitaram propriedades em MG e SP

Membros do Nepec na Fazenda Turbilhão

Por Mateus Pies Gionbelli, Luana Ruiz dos Santos e Helena Graciani Arantes*

A busca por conhecimentos práticos, capacitação e motivação profissional levou os membros do Núcleo de Estudos em Pecuária de Corte (Nepec) da Universidade Federal de Lavras (Ufla) a visitarem propriedades no Triângulo Mineiro e noroeste paulista. A viagem ocorreu entre os dias 31 de julho e 3 de agosto e contou com a participação de 15 alunos de graduação, 2 mestrandos e 2 doutorandos em Zootecnia. Foram cerca de 1.700 km percorridos, dentro de um roteiro que incluiu visitas técnicas a confinamentos, sistemas de recria a pasto, frigoríficos, indústrias e um instituto de pesquisa. O grupo foi acompanhado pelo professor-orientador do Nepec, Mateus Pies Gionbelli, e supervisionado por uma equipe da Nutron/Cargill Nutrição Animal, formada pelo gerente global de tecnologia de bovinos de corte, Pedro Veiga, e os coordenadores técnicos André Brichi (MG) e Fernando Parra (SP).

Nas regiões visitadas, o grupo se deparou com grandes áreas ocupadas por canaviais, onde os criadores de gado das redondezas vêm utilizando o bagaço de cana-de-açúcar (resíduo das usinas de açúcar e álcool) como fonte de fibra efetiva para complementar as dietas dos confinamentos, a exemplo do Grupo Queiroz de Queiroz do município de Frutal, MG. Com tradição familiar, e 200 anos de história na pecuária de corte, a empresa diversificou seus negócios a partir da construção de uma usina produtora de álcool, açúcar e bioeletricidade e, utiliza grande parte do bagaço de cana na alimentação do seu gado confinado. Outro destaque desse confinamento foi a busca por uma certificação ambiental de todas as atividades e processos realizados porteira a dentro.

Em Campina Verde, MG, o Nepec visitou ainda a Brunozzi Agropecuária. Esta propriedade tem investido em bem-estar animal a fim de aumentar da produtividade no confinamento. Na Brunozzi, são utilizadas estratégias como o uso de um sistema de aspersão e estruturas de sombreamento, para promover conforto térmico aos animais, além de reduzir a formação de poeira. Destaca-se também na Brunozzi Agropecuária a recuperação de áreas de pastagem, com adubação adequada e manejo excelente, que permitem fazer a recria de animais comprados de terceiros a um baixo custo de produção.

Em Estrela d’Oeste, SP, o Nepec esteve na Fazenda Turbilhão, cujo confinamento tem capacidade estática para até 23.000 animais. Seu destaque fica por conta do sistema de gestão e das atividades integradas de produção de carne bovina. A propriedade conta, inclusive, com uma sala especial para treinamento de colaboradores. A Turbilhão tem realizado também pesquisa interna para comparar a viabilidade de produção de machos inteiros x castrados do cruzamento de Angus x Nelore.

Ainda em Estrela d’Oeste, o Nepec visitou o frigorífico Frigo Estrela para acompanhar algumas etapas de produção, que envolvem tanto operações pré-abate (embarque, transporte, recepção, seleção, descanso, dieta hídrica, banho e condução dos animais para o abate) como operações de abate (insensibilização, sangria, esfola, descouramento, remoção da cabeça, divisão das carcaças, toalete, limpeza, carimbagem e estocagem). Anexo ao Frigo Estrela está situada a Estrela Alimentos (Unidade II), maior indústria de embutidos do Estado de São Paulo.
No dia 3 de agosto, pela manhã, o grupo visitou, no Instituto de Zootecnia, um centro avançado de pesquisa em bovinos de corte, para conhecer os programas de melhoramento genético e experimentos realizados no instituto.

Mais detalhes sobre as propriedades visitadas estão disponíveis na tabela abaixo:

Empresa Localização Atividades Tamanho da operação Observações
Grupo Queiroz de Queiroz Frutal – MG Cana de açúcar/Usina de açúcar e álcool/Recria/Terminação (confinamento) Capacidade de alojar 21,2 mil animais Média de 60 mil animais abatidos/ano;
Desde 1978 (40 anos de confinamento; 1° confinamento de MG);
Maior confinamento do Brasil que utiliza silagem de sorgo reidratado (80% da fonte de amido da dieta);
Uso de bagaço de cana como volumoso;
Outros ingredientes da dieta: milho, polpa cítrica, melaço de soja, caroço de algodão, núcleo. Gado composto (oriundos de raças leiteira);
Em 2018, embarcaram 8 mil animais vivos (cruzados; sem cupim) para a Turquia;
GMD no confinamento: 1,6 a 1,7 kg;
Animais saem para abate com, aproximadamente, 520 kg de peso vivo.
Brunozzi Agropecuária Campina Verde – MG Cana de açúcar/Soja/Milho/Recria a pasto (Mombaça)/Terminação (confinamento) 5 a 6 mil animais (capacidade estática) Principais ingredientes da dieta: Bagaço de cana, silagem de milho, ureia, farelo de amendoim, caroço de algodão, farelo de arroz (em grande quantidade), silagem de grão úmido de milho, núcleo;
4 tratos diários (30, 20, 20, 30%);
95 a 110 dias de confinamento;
Sistema de aspersão nos currais;
Estudo e investimento em estruturas de sombreamento aos animais com resultados prévios de melhoria do desempenho e viabilidade do confinamento.
Frigoestrela Estrela d’Oeste – SP Frigorífico 1.500 bovinos/dia Instalado em 1985;
Um dos maiores frigoríficos do Brasil (área construída: 30.000 m2);
Frigorifica, estoca e comercializa carne bovina desossada e com osso, além de miúdos e subprodutos, tanto no mercado nacional como no internacional (China e União Europeia);
Atende as exigências de cada mercado, cumprindo com os métodos de abate humanitário e de rituais religiosos ou culturais.
Estrela Alimentos Estrela d’Oeste – SP Industrializados Instalada em 1998;
Maior indústria de embutidos instalada no Estado de São Paulo;
Possui um mix de mais de 30 produtos, dentre eles: salsichas, mortadelas, presuntos, apresuntados, bacon, lombo canadense, embutido cozido de carne bovina, linguiças calabresa, toscana e de pernil, hambúrguer, carne moída, temperados semi-prontos.
Fazenda Turbilhão Estrela d’Oeste – SP Terminação 23.000 animais (capacidade estática) Peso vivo médio de entrada no confinamento: 400 kg;
Peso vivo médio de saída do confinamento: 550 kg;
4 tratos diários (30, 20, 20, 30%);
Tempo médio de cocho: 99;
Previsão de abate em 2018: 70.000 animais;
Principais ingredientes utilizados: Feno de Tifton, bagaço de cana, milho moído, casca de soja, farelo de amendoim, melaço de soja, torta de algodão, água, Nutronbeef Start (21 dias), Nutronbeef Máxima Digest (terminação);
Estudo da viabilidade de animais (F1 – Angus x Nelore) inteiros vs. castrados.
Instituto de Zootecnia (Centro Avançado de Pesquisa de Bovinos de Corte) Sertãozinho – SP Melhoramento genético das raças zebuínas Gir, Nelore e Guzerá, e da raça Caracu Aproximadamente 300 animais de potencial genético conhecido, entre machos e fêmeas/ano Área total: 2320,3 ha (Culturas anuais – 240 ha; Culturas perenes – 10 ha; Florestas e Matas – 840 ha; Pastagens – 1051 ha; Construções – 102 ha; Não Utilizáveis – 27,3 ha; Várzeas – 50 ha);
Anualmente, são realizadas provas de ganho em peso, a fim de se identificar os melhores animais de cada raça, em convênio com a Fundações e com as Associações de Criadores de raças existentes no Brasil;
Sêmens de reprodutores comprovados são comercializados através das Centrais de Inseminação Artificial;
Pensando em melhoramento da pecuária nacional, são vendidos cerca de 150 animais de potencial genético conhecido, anualmente, em leilões públicos;
O número de animais participantes na prova de ganho de peso gira em torno de 700 por ano e o de criadores em torno de 180;
Além disso, a unidade oferece, por ano, 10 vagas a estagiários.

*Mateus Pies Gionbelli é professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e orientador do Nepec; Luana Ruiz dos Santos é mestranda em Zootecnia da UFLA; Helena Graciani Arantes é graduanda em Zootecnia da UFLA.

**As opiniões expressas nos artigos não necessariamente refletem a posição do Portal DBO.

Fonte:Portal DBO

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