Como diminuir manutenções no moinho e conseguir rações bem formatadas?

Ao longo desse ano eu decidi escrever textos que não tem conexão entre si como fiz no ano passado. Focarei em textos de Engenharia de segurança, sobre o dia a dia das fábricas de ração. Os textos da revista Pet Food serão voltados para produção e maquinários e teremos, ainda, os textos de viagem, já que estou sempre com o pé na estrada. Nessas viagens vejo muitas coisas interessantes, diferentes que nem sempre eu consigo passar para vocês. As soluções que algumas empresas desenvolvem internamente, que agilizam o processo e melhoram a qualidade da ração no final do processo. Esse ano vou procurar registra e repassar para vocês cada nova experiência vivida nessas viagens.

Para esse primeiro texto vou apresentar para vocês o Feed Cleaner ou peneira rotativa. Muitos já conhecem e gostaria de detalhar a função desse equipamento. Para muitos, esse equipamento serve para fazer uma pré-limpeza das matérias primas que entram na fábrica, e, realmente, até pouco tempo atrás essa era a principal função dele. Como no início do processo é necessário um grande volume de processamento, a furação da tela desse equipamento acompanha uma vazão de aproximadamente 30 a 80 Ton/h. A FERRAZ MÁQUINAS possui três tamanhos de Feed Cleaner para executar essa função no começo da linha.

Na viagem que fiz nessa ultima semana passei para visitar meu amigo e cliente o Sr. Daniel da Agripet, em Presidente Prudente – SP. Ele me mostrou algo que eu já vinha pesquisando há algum tempo, mas não encontrava tempo para comprovar minhas suspeitas.

A Agrtipet usa o Feed Cleaner antes do moinho de remoagem, essa aplicação auxilia a diminuir a manutenção do moinho de remoagem, com relação a troca de telas e martelo. Em contrapartida o moinho ganha mais eficiência na moagem por não ter que moer ossos que vem da farinha de carne, pedaços de borracha, metal, entre outros resíduos que costumam passar para dentro das fábricas de ração.

A furação da tela do Feed Cleaner que normalmente é trabalhada com diâmetro de 9-15mm no início do processo, nesse processo é trabalhado com 5-6mm, ocasionando uma perda de produtividade por ter uma área de passagem menor, em contrapartida retira muito mais resíduos do que tiraria se estivesse com a furação padrão.

Para quem tem nos acompanhado no Instagram as fotos que postei foram gentilmente cedidas pelo Sr. Daniel que relatou que com uma produção de 6 ton/h e trabalhando em média 21 horas por dia, é possível retirar algo em torno de 1 ton de resíduos ao mês.

Para aqueles que têm interesse em adquirir o equipamento, recomendo que seja adquirido com um inversor de frequência, para que possa regular a velocidade exata que o moto redutor irá trabalhar e com isso melhore a eficiência da retirada de produto.

Esse experimento comprovei na prática, estava em um cliente que operava um Feed Cleaner com 2.000mm de comprimento motor de 15HP. Estava no começo da linha para retirar as impurezas de milho que chegava para ser descarregado.

Os resultados obtidos foram: a) sem o inversor de frequência e descarregando 30 ton/h de milho houve um descarte de 200 – 500Kg de milho juntamente com os resíduos, como palha, borracha, metal, sabugo entre outros e; b) com o inversor de frequência a eficiência aumentou descartando apenas 13Kg de milho e entre o milho foi encontrado pena, lona, copo plástico, palha e sabugo.

Além de melhorar a qualidade da matéria prima que você está colocando na ração ainda é uma forma de melhorar a separação de metal na linha.  Hoje dentro dessas matérias primas podem vir metais como parafusos, porcas, que não são detectados pelos dispositivos de separação. Com o Feed Cleaner é possível fazer essa separação de forma eficiente, evitando que esse corpo estranho chegue a romper peças no moinho ou até mesmo na extrusora.

Para quem já tem o BPF ( Boas Práticas de Fabricação) rodando na fábrica de ração, o Feed Cleaner acaba sendo um ponto de controle, o qual deve ser monitorado, dentro do POP (Procedimentos Operacionais Padrão) em dois pontos:

  • manejo de resíduos, manutenção preventiva e calibração de equipamentos;
  • seleção de matéria prima, insumos e embalagens.

E dentro dos PPHO´s ( Procedimento Padrão de Higiene Operacional):

  • prevenção da contaminação cruzada;
  • proteção contra contaminação/alteração do produto.

Esse ano darei continuidade, dentro do Portal R2S, aos textos sobre controle de qualidade.  Com isso os termos citados acima serão aprofundados.

Bom é isso ai! Espero que esse texto tenha ajudado vários produtores de ração animal, não só pet, como também peixe, gado e frango. Acredito que esse é um equipamento simples e com uma função muito importante dentro das fábricas de ração.

Vou ficando por aqui e assim que tiver mais novidade eu volto!

Forte Abraço!

Eng. Rafael R.S.

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