Brasil já tem carne zero carbono nos supermercados

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Estudo da Embrapa confirma que a emissão de gases do efeito estufa pelo boi é muito menor do que se propaga; com boas práticas pecuárias pode ser reduzida e até neutralizada

 

O setor agropecuário brasileiro e mundial tem buscado atender a crescente demanda por alimentos, madeira, fibras e bioenergia. Concomitantemente à necessidade de aumento de produtividade, crescem as restrições para expansão sobre novas áreas para uso agropecuário. Neste contexto, a tendência contínua é que, contra-posto ao ligeiro aumento no rebanho bovino, haja diminuição de áreas destinadas à bovinocultura, com necessidade de intensificação do uso das áreas com pastagens cultivadas, pela combinação de uso otimizado de insumos, melhoria de técnicas de manejo, incremento da suplementação alimentar e utilização de sistemas de produção em integração.

A “Carne Carbono Neutro” (CCN) é uma marca-conceito, parametrizável e auditável, que visa atestar a carne bovina produzida em sistemas de integração do tipo silvipastoril (pecuária-floresta) ou agrossilvipastoril (lavoura-pecuária-floresta), por meio de uso de protocolos específicos que possibilitam o processo de certificação. Seu principal objetivo é garantir que os animais que deram origem ao produto tiveram as emissões de metano entérico compensadas durante o processo de produção pelo crescimento de árvores no sistema. Além disso, garantir, pela presença de sombra, que os animais estavam em ambiente termicamente confortável, com alto grau de bem-estar, preceitos que fortalecem a marca e que estão intimamente ligados ao marco referencial da ILPF.

O lançamento oficial da marca, em 2015, foi um marco importante para a agropecuária brasileira, com repercussão nas esferas políticas e produtivas nacionais e internacionais. A partir disso, o Estado do Mato Grosso do Sul iniciou o processo para se tornar o primeiro estado carbono neutro do Brasil e irá implantar políticas públicas para promover a marca CCN em seu território. Seu uso será validado em outros biomas brasileiros, além do Cerrado, visto que já existem tecnologias desenvolvidas e disponíveis para implantação e manejo de ILPF, considerando-se as peculiaridades de cada região.

Ressalta-se a estratégica de condução de dez unidades de referência tecnológica (URTs) em diferentes regiões do Brasil, integradas à Rede de Fomento de ILPF, para a divulgação de dados e protocolos regionalizados. Dada a grande repercussão no setor, acredita-se que a marca CCN possa ser um importante facilitador para o programa ABC, contribuindo para aumentar o nível de adoção de sistemas de ILPF no território nacional e a produção de carne ecoeficiente e melhor remunerada. Dois pontos importantes a serem ressaltados: esta tecnologia é inovadora e 100% brasileira, não havendo iniciativas similares, à época de sua proposição, no mercado.

Fonte: Noticias Agrícolas

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