Agricultura articula ação com prefeitos

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Ao Valor, ministra Tereza Cristina diz que passou os últimos dias ligando para dezenas de prefeituras numa articulação para evitar o fechamento de frigoríficos e agroindústrias.

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro minimiza a gravidade da pandemia de covid-19 num momento em que o novo coronavírus avança no país, a ministra Tereza Cristina passou os últimos dias ligando para dezenas de prefeitos numa articulação para evitar o fechamento de frigoríficos e agroindústrias e impedir o desabastecimento de supermercados e redes varejistas.

Em entrevista ao Valor, Tereza se disse preocupada com possíveis atrasos ou interrupções tanto no fluxo de fornecimento de insumos a fazendas e fábricas de alimentos quanto na chegada de itens como carnes, arroz, feijão, hortaliças e legumes ao consumidor final. Ela conta que, na última semana, já houve casos de fiscais em alguns municípios ameaçando paralisar a produção na porta de frigoríficos no interior do país.

O Ministério da Agricultura também recebeu queixas semelhantes de fábricas de sementes e outros insumos como rações e fertilizantes, essenciais para a produção de grãos, que por sua vez são usados como ração animal para a produção de proteína animal como carnes bovina, de frango e suína.

A partir de hoje, num esforço para intensificar a comunicação com empresários do segmento agropecuário e produtores rurais no meio da crise causada pelos efeitos do novo coronavírus, a pasta da Agricultura passará a disponibilizar um número de WhatsApp para receber, por meio de mensagens ou ligações telefônicas, reclamações de eventuais paradas de produção ou dificuldades com escoamento de produtos.

“Estamos no auge da crise, com as pessoas deixando de consumir em [redes de] fast-food e apassando a comer mais em casa, feiras de rua fechando, a demanda por comida pode crescer, mas não podemos neste momento ter falta de alimentos. Na Itália e na Alemanha não faltou produção”, afirmou a ministra, que integra gabinete de crise com outros ministros, liderado pelo chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto. “Temos que tentar garantir, com todas as nossas forças, a entrega de alimento principalmente às pessoas que estão ficando doentes”, acrescentou.

O maior temor era de que o fechamento de fronteiras interestaduais anunciado por alguns governadores estrangulasse o transporte de cargas, sobretudo de alimentos e bens essenciais. O bloqueio desses itens prioritários, no entanto, foi proibido por uma medida provisória editada pelo governo há três dias.

Conhecida em Brasília pelo setor de agronegócios como “bombeira” pela grande quantidade de “incêndios” e atritos causados pelo governo que precisou apagar até hoje, Tereza Cristina também defendeu que toda a cadeia produtiva de alimentos funcione e sobreviva. Nos últimas dias, não foram poucos os relatos de executivos de grandes empresas e do setor exportador preocupados com a possibilidade da transmissão da covid-19 afetar linhas de produção ou mesmo garantir que haja transporte para levar os funcionários às fábricas.

As empresas do setor agropecuário e de alimentos estão dispensando funcionários com mais de 60 anos – grupo de risco para a doença – e priorizando jovens no chão de fábricas, numa estratégia para não paralisar seus parques industriais, mas as incertezas em relação ao alcance da covid-19 vem deixando as maiores empresas de alimentos preocupadas.

“Nossa preocupação é também em dar segurança aos trabalhadores da área de alimentos. E estamos procurando nos antecipar aos problemas e monitorando a situação do fluxo de entrega dos produtos com supermercados e produtores”, frisou Tereza.

A ministra ainda pontuou que a próxima fase de atenção de seu ministério junto ao gabinete de crise do governo federal será em minimizar impactos econômicos sobre o setor agropecuário. Para ela, o Plano Safra, pacote de crédito rural subsidiado pelo governo e que geralmente é lançado por volta de junho, certamente terá que ser repaginado.

Fonte: Avisite

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